Fichamento "Teoria do não objeto"
A teoria do não-objeto, formulada pelo poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, nasce como uma resposta e um avanço em relação ao neoconcretismo, movimento do qual ele próprio fez parte. Gullar propõe um afastamento da ideia tradicional de obra como algo físico e fixo, defendendo que a arte deve desprender-se da materialidade para tornar-se uma experiência dinâmica e em constante transformação. Para ele, o não-objeto não pode ser delimitado como um objeto convencional, mas deve ser entendido como um campo de relações, uma configuração que se revela no tempo e no espaço por meio da participação do espectador. Assim, a obra deixa de ser um resultado pronto e passa a constituir um processo permanente, no qual o sentido se realiza na vivência do momento. Nessa visão, a arte privilegia a percepção sensível, a intuição e o envolvimento ativo do público, que deixa de ocupar a posição de observador passivo para assumir o papel de cocriador da experiência estética.
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